Igreja que ficou de pé concentra doações em São Luís do Paraitinga

Voluntários fazem comida e distribuem roupas, água e leite.
Outras duas igrejas desabaram após enchente no centro histórico.

Foto: Juliana Cardilli/G1

Cidade é tomada pelas águas. (Foto: Juliana Cardilli/G1)

O movimento é grande o dia inteiro, com homens, mulheres e crianças entrando e saindo levando e buscando doações. Essa é a nova rotina da única igreja que ficou de pé no centro de São Luís do Paraitinga, a 182 km de São Paulo, após as fortes chuvas que causaram alagamentos e desabamentos no município no primeiro dia do ano.

O local também serve de alojamento para parte das 200 pessoas que ficaram sem ter onde dormir e acabaram acolhidas pela prefeitura. Durante o dia, quando as camas improvisadas não estão montadas, a igreja é o centro de distribuição das refeições para os moradores que tiveram suas casas interditadas ou destruídas. Além disso, água potável e leite estão disponíveis.

A distribuição é comandada pelos voluntários, que seguem para cima e para baixo entre a igreja e um imóvel que fica logo à frente, onde são cozidas as refeições e dadas as cestas básicas para quem tem onde cozinhar. No início da tarde desta segunda-feira (4), a fila para pegar a cesta dobrava o quarteirão – antes, entretanto, era preciso fazer um cadastro com os voluntários.

A distribuição de comida é importante porque mesmo quem quer comprar alimentos não consegue. “Já consegui voltar para casa, mas não acho comida para comprar, está tudo fechado, a cidade estava ilhada até ontem”, contou o pedreiro Marcos Augusto Oliveira, de 25 anos, enquanto almoçava sentado em um dos bancos da igreja.

Ela também tem sido a salvação do professor universitário Judas Tadeu de Campos, que está dormindo dentro do carro, na garagem de casa, única parte que não foi atingida pela enchente por estar em uma área mais alta. “Tem comida em casa, mas ela está interditada, e o que estava na geladeira se perdeu. Estamos comendo de caridade, fazendo todas as refeições aqui”, contou.

Controle

O local também é refúgio para quem quer se aliviar um pouco do sol forte que esquenta as ruas da cidade, com poucas sombras. Mas o movimento é controlado: a todo momento, o professor Bruno Ferreira, de 34 anos, usa um megafone para organizar a situação e dispersar as pessoas. Morador de São Paulo, ele foi passar as férias em São Luís do Paraitinga, onde nasceu e foi criado, e resolveu ajudar ao ver o drama da cidade.

No mesmo local onde são feitas as comidas, há também a distribuição de roupas – item que já foi recebido em quantidade suficiente, segundo os voluntários. Eles dizem que os produtos mais necessitados pelos moradores são artigos de higiene pessoal, como sabonete, pasta e escova de dentes, absorventes e fraldas; materiais de limpeza, como rodo, vassoura, balde, sabão e água sanitária; e ferramentas para a retirada dos escombros e lixo, como pás e carrinhos.

Destruição

Cerca de 60% dos casarões tombados no centro histórico de São Luís do Paraitinga, a 182 km de São Paulo, foram comprometidos pelas fortes chuvas que alagaram a cidade no dia 1º de janeiro, segundo informou nesta segunda-feira (4) o diretor de turismo do município, Eduardo de Oliveira Coelho.

De acordo com ele, o número ainda é uma estimativa e só poderá ser confirmado após uma análise final da Defesa Civil. "Pelo menos 20 casas importantes desabaram no centro histórico, que teve 60% dos seus imóveis comprometidos", disse o diretor de turismo.


A Prefeitura de São Luís do Paraitinga calcula que serão necessários R$ 100 milhões para reconstruir a cidade, além dos prejuizos causados pela enchente e desabamentos.
Igreja que ficou de pé concentra doações em São Luís do Paraitinga Igreja que ficou de pé concentra doações em São Luís do Paraitinga Reviewed by Samuel Rodrigues on 19:39 Rating: 5
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