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Christianity Today entrevista Amy Grant que fala sobre seu novo Cd “Somewhere Down the Road”

10 de abril de 2010

/ by Samuel Rodrigues

Em entrevista ao site Christianity Today, a cantora norte-americana, Amy Grant, fala sobre seu novo Cd “Somewhere Down the Road”, que tem a participação de sua filha. Ela fala também sobre família, relacionamentos e experiências vividas que foram colocadas em forma de música no seu novo trabalho.

Amy Grant, que, de xodó da música evangélica acabou se tornando uma das primeiras celebridades gospel a ingressar também no meio secular, em 1980, para depois ser duramente criticada por seu divorcio de Gary Chapman em 1999 e posteriormente seu segundo casamento com o astro da musica “country” Vince Gill (com quem ela tem uma filha de 9 anos).

Atualmente, Amy diz que nunca esteve tão feliz, ainda que esteja lutando com “muita incerteza dentro de minha família por estarmos vivenciando dor, perdas e alegria”- incluindo a morte recente de um amigo muito próximo e o declínio da saúde de sua mãe.

Amy, seis vezes vencedora do Grammy, e que vai completar 50 anos ainda este ano, tem vivido uma verdadeira montanha-russa emocional. Muito do que ela tem vivido pode ser encontrado no seu novo trabalho “Somewhere Down the Road”, que inclui seis canções originais, duas faixas gravadas anteriormente, mas, ainda inéditas, uma nova versão de “Arms of Love”, e três canções de Cd’s anteriores. Todas as faixas refletem bem sua trajetória recente- os altos e baixos, alegrias e dores e todas as nuances emocionais que se tem na vida.



Em entrevista ao site Christianity Today, traduzida por Leon Neto, colunista do FolhaGospel, Amy Grant fala sobre o seu novo disco, sua carreira, família e os altos e baixos da estrada da vida. Confira a entrevista abaixo:

Vamos voltar para os seus primeiros discos- toda aquela vibrante e alegre música cristã. Você chegou a pensar, quando ainda nos seus 18 ou 20 anos que comporia canções sobre dor e dificuldades como essas que estão no seu novo projeto?

Eu acho que eu já compreendia o que é angustia quando eu era jovem. Pode ser que eu não soubesse como escrever canções sobre o assunto, mas no meu primeiro disco (1977) eu incluí uma canção chamada “I Know Better Now”(Eu Entendo Melhor Agora). Ela começava assim: “alguns sempre sabem o que dizer/eu acho que não nasci desse jeito/ com o dom desse charme eles são abençoados/ eu gosto de vê-los se destacar na multidão”. Isso não é muito diferente do que dizer para uma menininha de 8 anos “um dia você vai poder limpar essa casa inteira, lavar as roupas, preparar o almoço para uma família de seis pessoas”. Ela provavelmente iria olhar pra você e dizer “E daí? “

Se o relacionamento entre Cristo e a Igreja é melhor ilustrado como um relacionamento marido-mulher, então minhas primeiras canções e meu relacionamento com Deus naquela época não era muito diferente de Corinna (minha filha de 9 anos) chegando em casa e comentando sobre um amiguinho “eu acho que ele gosta de mim. Eu tenho cabelo longo e ele diz que isso é lindo”. O conceito dela de amor é só atenção e nada mais. Como é que eu faço para explicar para ela que essas coisas vão mudar no futuro? Eu não posso simplesmente dizer “algum dia você vai deitar pelada com um homem e se entregar completamente, de forma despojada e usufruir do ato mais intenso que poderia imaginar e eventualmente, por causa desse ato, você vai ter um bebê e tudo vai virar de cabeça para baixo, vai virar uma bagunça, e isso envolve dor, muito trabalho mas também muitas risadas e divertimento”. Relacionamentos de verdade são desagradáveis e viscerais, o tipo de coisa que a vida está cheia.

Essa é a analogia física do relacionamento com Deus (marido-mulher). Então, quando você vê um garotinho cantando “Cristo tem amor por mim”, ele não tem a menor idéia de quão áspero e desagradável isso vai se tornar. Ele não tem idéia da profundidade da alegria e da vulnerabilidade que está por vir. Seria ridículo tentar explicar isso para mim quando eu tinha apenas 17 anos.

Verdade? Isso não é o tipo de conversa que você poderia ter com sua filha de 17 anos, a Sarah?

Eu penso que começamos a ter conversas mais serias enquanto as coisas vão acontecendo na vida. aos 17 anos, independente de quão apaixonada ela acha estar, ou se ela já se relacionou com alguém, nada no cérebro de Sarah vai ajudá-la a entender o que um compromisso de verdade de fato é. Eu acho que o importante mesmo não é contar o que está por vir, mas sim, enquanto as coisas vão acontecendo, estar sempre por perto. E aí você vai e conversa sobre o assunto. Isso é o que minha mãe fazia comigo. Ninguém gosta de assistir a um filme com alguém do lado contando todas as cenas. Eu prefiro assistir o filme primeiro e depois conversar sobre a trama.

Falando sobre Sarah, vocês gravaram juntas uma das faixas (“Overnight”) no disco novo. Era algo que você estava querendo fazer há algum tempo?

Eu tenho pensado nisso desde a primeira vez que a ouvi cantar, um pouco antes de Sarah fazer 16 anos. Eu realmente gosto muito do timbre da voz dela. Ela tem um amigo na igreja que toca piano e ele veio um dia para nossa casa e eles cantaram juntos por um bom tempo. Há seis meses atrás, eu perguntei se Sarah gostaria de cantar uma musica comigo e ela disse que sim.

Quando você vê Sarah agora, com 17 anos, pensa: “nossa eu nessa idade estava me preparando para gravar o meu primeiro disco”?

Sim. Eu era exatamente da mesma idade quando gravei meu primeiro disco. Mas, ela não está pensando em uma carreira musical da mesma forma que eu estava. Eu na época estava completamente grudada no meu violão. Sarah gosta mesmo é de escalar montanhas, de correr. A ideia de estar em um palco cantando e tocando não passa pela cabeça dela. Ela apenas coincidentemente tem uma boa voz. Minha intenção foi capturar esse momento, a forma como ela canta agora. e trabalhar com ela foi muito divertido.

Várias canções do seu disco novo foram compostas nos anos 90 quando sua vida estava bastante tumultuada. Seu casamento em crise, você tinha já conhecido Vince e estava em um terrível estresse emocional .

Certo.

Fale um pouco sobre porque escolheu essas canções para esse trabalho.

Bem, essas canções definitivamente se encaixam no conceito de uma jornada. Já fazia mais ou menos 10 anos que eu não ouvia a musica “Come into My World”. Mas quando eu a ouvi recentemente, eu pensei “puxa, essa musica conseguiu captar um momento muito difícil que todos nós passamos uma vez ou outra, no qual temos que manter uma fachada de coragem mas quando na verdade estamos desmoronando por dentro”. Naquele momento, eu não quis lançar aquela canção, pois ela tinha muito a ver com o meu mundo, e me fez sentir um tanto vulnerável. Mas, aos poucos você acaba se distanciando e percebendo que essas experiências acontecem com todo mundo.
Sim, meu casamento estava se desfacelando (quando escrevi a canção), mas eu aposto que qualquer mulher , mesmo as que são felizes no casamento se sentem assim às vezes, mas não tem a liberdade de dizer: “eu estou desmoronando por dentro”. As vezes é um sentimento que dura apenas um dia, mas outras vezes dura bem mais.

Qual é história por trás da musica “Third World Woman”?

A idéia para “Third World Woman” começou em Washington há vários anos durante um encontro promovido pela Cruz Vermelha que eu participei. Eles estavam falando sobre o que é mais necessário – vacinas, comida- e como é importante para nós mulheres hastearem a bandeira para as necessidades das mulheres que vivem em paises do terceiro mundo. Alguns anos depois, no verão de 2008, Chris Eaton e eu estávamos trabalhando em uma canção para o meu disco de Natal, “I need a Silent Prayer”, o qual é sobre toda a loucura das compras de fim de ano e o mercantilismo por trás de tudo. Enquanto estávamos escrevendo a letra, a televisão estava ligada e começou a passar imagens de pobreza em países do terceiro mundo. Eu então cantarolei: “e se eu fosse aquela mãe olhando para a tela?” Eu e Chris alinhavamos um esboço da canção, mas não terminamos naquela noite porque tínhamos um prazo para o disco de Natal.

No encarte do CD há uma foto de uma mulher ugandense chamada Damalie, ao lado da letra de “Third World Woman”. Quem é ela?

Eu a conheci em Uganda no verão passado durante uma viagem que fiz com a organização Compassion International. Um pouco antes disso, eu e Vince fomos convidados para cantar no “The Academy Achievement Summit”, um encontro incrivelmente mágico que aconteceu na cidade do Cabo, na África do Sul. Nós nos apresentamos na Catedral St. George, um pouco antes do Bispo Desmon Tutu falar. E nós ficamos mais alguns dias usufruindo de hotéis incríveis nessa viagem com todas as despesas pagas.

Nós trocamos as passagens de primeira-classe que recebemos, por passagens na classe econômica, para poder assim levar nossos filhos também. Nós resolvemos passear por Uganda, porque minha filha Sarah, apadrinhou um menino lá através da Compassion. Então nós deixamos a deslumbrante e confortável vida na África do Sul, onde meus filhos puderam conhecer o melhor lado da África- mentes brilhantes, ensinamentos incríveis.

Eles ouviram sobre a revolução e o apartheid. E então fomos para Uganda , para a casa de Damalie. Ela tinha um casal de crianças apadrinhadas pela Compassion.

Ela morava em um quartinho minúsculo. Ela nos contou que sua família, seu marido, seu cunhado e vários de seus filhos haviam morrido de AIDS; nós pudemos visitar seus túmulos no quintal. Ela estava então criando os filhos que sobraram e alguns netos também. Ela nos contou que agora, através da Compassion, ela nunca mais ficou sem ter o que comer.

Eles também providenciam cuidados médicos. Seus filhos e netos agora podem ir à escola. Nós perguntamos: podemos orar por você? “e ela disse: “orem para que eu viva o suficiente para ver meus filhos crescerem”. Aquele pedido, comparado com aquela fartura toda que havíamos presenciado um dia antes!- eu olhei para meus filhos e eles estavam chocados. Foi inacreditável.

Fale-me sobre a canção “Unafraid”, que é sobre sua mãe. Quais são as qualidades dela que a fazem ser uma mãe tão boa?

A infância dela não foi nada fácil. Seus pais se divorciaram quando ela tinha apenas dois anos- e divorcio não era algo comum em 1933. O pai dela morreu quando ela ainda era bem pequena. Assim, com a gente ela sempre demonstrou uma certa vulnerabilidade. Mas, eu sempre soube que ela me amava. Ela era muito gentil e carinhosa. Minha mãe costumava dizer coisas para mim enquanto eu crescia, como : “não se preocupe, Amy.

Os melhores anos de uma mulher são entre 35 e 45”. O que ajuda bastante, quando você está lidando com as inseguranças de uma adolescente, ou mesmo quando você cruza a barreira dos 21 anos e começa a fazer algumas bobagens. Mas, para ela ter a sabedoria de dizer quando você vai realmente se sentir bonita e que aquilo vai se traduzir em beleza de fato, é como você consegue ter a vida sob controle. Eu gosto demais disso. Ela me acalmou totalmente. Não se preocupe. 35 anos, eu chego lá.

E isso realmente aconteceu com você?

Aconteceu, sim. Eu estava um pouco torturada aos 35 anos, mas chegar aos 46 foi realmente chato! Mas, tudo isso já passou. Eu penso sempre naquela canção de Joni Mitchell chamada ”Big Yellow Taxi”(O Grande Taxi Amarelo), que eu canto toda noite: “não parece que tudo sempre passa? / você não sabe o que tinha até que o dia em que o perde”. Pura verdade.

Tradução: Leon Neto
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