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SP: vândalos deixam Cristo sem os braços

17 de outubro de 2010

/ by Samuel Rodrigues
Capital paulista tem cerca de 400 obras em ruas.
Para especialista, educação é a melhor maneira de combater depredação.

Onde está a bandeira da estátua em homenagem a Ayrton Senna, na região do Parque do Ibirapuera, Zona Sul de São Paulo? E os óculos do busto de José Pedro Leite Cordeiro, no Largo do Arouche, Centro? Esses são apenas alguns exemplos de obras de arte depredadas e “mutiladas” espalhadas pelas vias da cidade.

A capital paulista tem cerca de 400 obras em logradouros públicos, segundo a Secretaria Municipal de Cultura. Boa parte delas apresenta alguma pichação ou defeito, como a imagem de Cristo na Cruz sem os braços na Praça Doutor Afrodísio Vidigal, na Vila Mariana, Zona Sul. A pasta, porém, não tem levantamento sobre o número exato de monumentos com problemas.

Um dos casos mais graves de degradação é a “Fonte Monumental”, situada na Praça Julio Mesquita, no Centro. Ao contrário de outras fontes, essa não tem água. Em seu interior, moradores de rua se protegem do frio e, muitas vezes, fazem as necessidades lá mesmo. Isso, aliado ao fato de que detalhes da obra estão destruídos, torna a apreciação do monumento uma experiência longe de ser agradável.


Quando o vandalismo torna-se crítico, algumas medidas extremas são tomadas. A Academia Paulista de Letras (APL), por exemplo, solicitou que os bustos de Afonso D'Escragnole Taunay e José Pedro Leite Cordeiro, que foram colocados no Largo do Arouche por iniciativa da própria APL, sejam transferidos para o interior do prédio da academia.

O Departamento do Patrimônio Histórico, da Prefeitura, deu parecer favorável ao pedido. Após serem resolvidas pendências burocráticas, os bustos serão levados para a sede da APL, que fica no próprio Largo do Arouche.

A cada quatro meses as obras de arte em áreas públicas são limpas. “Nessas visitas para limpeza, quando há problemas, eles são detectados por técnicos”, informa em nota a Secretaria da Cultura. No caso da Fonte Monumental e dos demais monumentos citados na reportagem, eles serão restaurados.

Vandalismo é crime e quem o comete pode pegar até três anos de prisão, além de multa. Projeções da Prefeitura indicam que, anualmente, sejam gastos cerca de R$ 10 milhões para consertar não apenas obras como pontos de ônibus, placas e semáforos danificados.

Esperança

Apesar dos problemas, há esperança de que esse cenário mude, segundo a geóloga Eliane Aparecida Del Lama. Professora do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em conservação de monumentos, ela afirma que a melhor forma de combater esse tipo de vandalismo é a educação. “A gente precisa de educação patrimonial. Fazer esse trabalho nas escolas para que as pessoas entendam que os monumentos são parte de sua história.”

Para a professora, com essa conscientização a arte na rua será motivo de orgulho para os paulistanos. “As próprias pessoas cuidariam. Os monumentos não precisariam mais ser gradeados.”
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