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Jornada ao lado oriental de Jerusalém - como vivem os palestinos

28 de janeiro de 2011

/ by Samuel Rodrigues

Agora, sim! Tenho a impressão de realmente chegar ao Oriente Médio. Enquanto o lado ocidental de Jerusalém se parece com qualquer país da Europa, a parte oriental mantém caractéristicas típicas dos países árabes.

*Rosiane Rodrigues

Foi depois que atravessei as ruas do bairro de Mussrara no lado palestino que pude avistar mulheres com olhos muito bem delineados, envoltas em véus. Estima-se que a população palestina, que habita os territórios independentes e a parte oriental da cidade, seja de 8,5 milhões. Desses, cerca de 10% são cristãos.

A Palestina também pode ser entendida como a denominação histórica dada pelo Império Britânico a uma região do Oriente Médio situada entre a costa oriental do Mediterrâneo e as margens do Rio Jordão. Hoje, os palestinos podem ser muçulmanos e cristãos, nascidos em territórios independentes — governados pela Autoridade Palestina — ou em Jerusalém Oriental.

Mesmo sob domínio israelense, os palestinos nascidos em Jerusalém possuem sua própria nacionalidade — reconhecida em vários países do mundo, inclusive no Brasil — e só podem votar nas eleições municipais, já que o voto palestino para o Parlamento de Israel não é permitido pelo governo.

De origem sunita — maior corrente do Islão — a área que correspondeu à Palestina até 1948 encontra-se $dividida em três partes: uma integra o Estado de Israel (Jerusalém Oriental e arredores); duas outras (a Faixa de Gaza e a Cisjordânia) deveriam integrar um estado palestino a ser criado. Porém, em 1967, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia foram ocupadas militarmente por Israel, após a Guerra dos Seis Dias.

A palavra Palestina deriva do grego Philistia, nome dado pelos autores da Grécia Antiga a esta região, para designar os filisteus. Este povo é igualmente conhecido no Egito Antigo, por onde também passou, como prst.

Nada de categorias

Diferentemente da parte ocidental, dividida em vários subgrupos étnicos, Jerusalém Oriental caracteriza-se pela resistência política ao nacionalismo europeu. Para o estudioso do Islã Munzer Isbelle, não é possível separar os palestinos em categorias.

—Palestino é todo aquele que nasce na Palestina e que luta para manter o Estado Palestino, mesmo os cristãos. Na parte muçulmana, temos os que seguem mais o Corão, outros nem tanto. Há também os que são mais laicos. Isso acontece em qualquer religião. É preciso entender que política e religião sempre andaram juntas no Islã.

Numa doceria, encontro a jovem Suhad, de 27 anos, mãe de um menino de 3 e grávida de cinco meses. A princípio , ela reluta em conversar, mas, quando digo que sou do Brasil, concorda com a entrevista. Formada em Serviço Social pela Faculdade de Belém, diz que nunca sai do seu bairro, nos arredores das Muralhas. Pegunto qual seu maior desejo.

— Quero me sentir salva, ter um futuro

Pedras que marcam

O depoimento de um menino palestino, de 16 anos, morador de um bairro fora das Muralhas de Jerusalém, define o que essas pessoas entendem por manutenção de identidade por aqui. Pergunto para ele se as crianças não têm medo de atirar pedras nos soldados israelenses nos territórios ocupados. Ele me responde que eles todos sabem que os soldados têm armas muito poderosas e que estão muito bem preparados:

—Mas nós temos as pedras. E as pedras também deixam marcas.

A família, que perdeu o filho mais velho durante um confronto, não permite a divulgação da imagem nem da identidade do garoto. Não é necessário. Essa definição do conflito, vinda de um jovem de olhos muito profundos, nos dá uma breve dimensão da resistência desses homens e mulheres. Vai ecoar na minha cabeça por anos.

Churrasco árabe

Em frente ao Portão de Damasco, encontro Mohammad, de 45 anos. Ele vende uma versão árabe do nosso churrasquinho. Tem de frango, carneiro e uma espécie de kafta, que depois de assada é colocada no pão e pode ser comprada por 10 shekels (equivalente a R$ 5,00). Está ali por acaso, já que seu "ponto" é na rua detrás. Ele conta que está desempregado e precisa sustentar a família.

— Por isso, tive que vir para as ruas trabalhar.

Receptivo, ficou encantado quando eu disse que muita gente no Rio de Janeiro trabalha como ele. No meio da entrevista, chega sua filha, muito nervosa. Pergunto o que aconteceu.

— Ela está nervosa porque a polícia israelense acabou de prender meu irmão. Ele também trabalha sem licença.

*Rosiane Rodrigues, colunista do blog Religião & Fé, viajou como bolsista de um curso do Museu Yad Vashen./Gospel Channel
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