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'Acredito mais no diabo agora', diz Alice Braga sobre filme de exorcismo

12 de fevereiro de 2011

/ by Samuel Rodrigues


Brasileira está no longa 'O ritual', com Anthony Hopkins, que estreia no país. Novo projetos incluem filme sobre Tim Maia e 'On the road', de Walter Salles.

Nem cabeças girando muito menos sopa de ervilha. Apesar do tema em comum, quem for assistir a “O ritual” com a expectativa de ver um novo “O exorcista” vai se decepcionar: nem terror o filme com Anthony Hopkins e Alice Braga é. “É um pouco só, tem muito mais suspense e investigação”, adianta a atriz brasileira sobre o longa que estreia nesta sexta-feira (11) em circuito nacional.

“Mesmo tendo lido o roteiro eu tomei um susto quando vi o filme depois, com a trilha sonora pronta. Concordo 100% com o Anthony, que diz gostar mais de filmes de terror que sejam dramas psicológicos. Os meus prediletos [do gênero] são ‘O bebê de Rosemary’ e ‘O iluminado’. Sou daquelas que evita ver esse tipo de filme, tenho pavor, fico com medo mesmo dias depois...”, brinca Alice, durante entrevista ao G1 em um hotel de São Paulo.

“O ritual” tem direção de Mikael Hafström (“Fora de rumo” e “Conspiração Xangai”) e tem como enredo a história de um aspirante a padre (Colin O'Donoghue, no papel de Michael Kovac), que questiona os dogmas religiosos antes de fazer seus votos definitivos.



Aconselhado pelo seu superior, Kovac é encaminhado para o Vaticano, onde ficará durante dois meses para um novo curso de formação de exorcistas – uma “profissão” em falta, sugere o filme. Em Roma, ele tem contato com Lucas Trevant (Hopkins), renomado exorcista (mais de mil rituais no currículo), de métodos pouco ortodoxos. Os diálogos entre os dois e os exorcismos que presenciam são a cola do filme, baseado em uma história real revelada em um livro do jornalista Matt Baglio.

Alice tem o papel de Angelina Vargas, repórter sul-americana que participa do curso para uma reportagem especial sobre o tema. Por não ter acesso aos rituais de exorcismo, ela tem encontros com Kovac que, entre a descrença e a fé, confidencia à jornalista suas experiências com Trevant.

“Gostei muito da minha personagem e falei bastante com o escritor do livro, que é o meu personagem de certa forma. Tentei ao máximo não julgar o universo em que estava entrando e não ter nenhum tipo de preconceito”, diz a atriz, afirmando estar com a cabeça mais aberta em relação a Deus e ao próprio diabo – que possui os corpos dos exorcizados.

“Com certeza acredito mais no diabo agora, mas não posso dizer que 'acredito'... Estou mais aberta para perguntas e para essa discussão. Acho que não tem só a gente no universo, seria muita arrogância nossa”, ri ela, “feliz” por não ter participado das cenas de exorcismo.

“Não precisei frequentar nenhum exorcismo [como preparação], fiquei feliz de ter escapado dessa”, diverte-se. Ela também jura que não presenciou nenhum momento assustador durante as filmagens, boato tradicional em sets de filmes de terror.

“Com um tema muito 'dark' por trás, qualquer coisa assusta. O Colin viu um acidente quando chegou à Roma igual ao do filme e ficou paranoico”, conta. “Já o roteirista disse que, quando escrevia o roteiro, ouvia um barulho que não era de rato, de nada. E quando terminou o roteiro o barulho sumiu! Mas acho que essa ele inventou para nos assustar!”.

Cinema brasileiro 'cabeça' x cinema comercial de Hollywood

A brasileira aparece pouco na tela e tem um rápido momento com Sir Anthony Hopkins no filme. Foi o suficiente para que recebesse elogios do ganhador do Oscar. “Como ator e pessoa, ele deu uma aula”, derrete-se.

Em “O ritual”, mais uma vez Alice pega um papel muito diferente daqueles mais “cabeça” que costuma fazer no cinema brasileiro, como a prostituta Karina, de “Cidade baixa”. Em Hollywood, por outro lado, ela tem se especializado em filmes comerciais e de pegada adolescente – caso de “Eu sou a lenda”, “Coletores” e “Predadores”. “O ritual”, por exemplo, é o seu segundo trabalho que chegou ao primeiro lugar das bilheterias americanas.

“Sim, com certeza”, admite, quando perguntada se o seu rosto fora do Brasil já é associado a produções de ficção científica. “Em Budapeste [local de filmagem de ‘O ritual’], tinha fãs de ‘Predador’, ‘Repo Men’ [‘Coletores’] e ‘Eu sou a Lenda’. Gente que só gosta desse gênero! Não escolho gênero, aqui no Brasil faço papéis muito diferentes. Cada personagem te faz entrar numa jornada diferente”, discursa.

A verdade é que apesar de não ter feito papéis muito marcantes no exterior (“Ensaio sobre a cegueira” é uma exceção), Alice sabe o quanto é importante cavar um espaço em blockbusters. “Com certeza é uma possibilidade de mostrar o meu trabalho para muito mais gente. Eu, pessoalmente, fico aterrorizada. Quando soube que ‘O ritual’ estava em primeiro lugar, logo fiquei muito feliz. Mas daí desliguei o telefone e pensei ‘ai que vergonha’”, ri, enquanto tapa os olhos com as mãos.

Alice terminou recentemente de filmar “On the road”, filme de Walter Salles previsto para este ano. O trabalho é uma adaptação do icônico livro do escritor beatnik Jack Kerouac, um projeto que levou décadas para chegar aos cinemas. Kristin Stewart , Kirsten Dunst e Viggo Mortensen estão no elenco. “Minha personagem é linda. A Terry é uma mexicana que mora na fronteira da Califórnia e trabalha num campo de algodão. Sal Paradise (Sam Riley) a conhece num ônibus e vai viver um pouco a vida dela. É uma história de amor que, como o Walter diz, traz um outro lado, uma maturidade fora da geração beat”.

Durante a entrevista, Alice adianta que foi convidada para rodar três filmes nacionais neste ano. Um deles será com o diretor José Eduardo Belmonte que, segundo ela, também terá uma pegada “pé na estrada”. O outro será o de umas das esposas de Tim Maia na cinebiografia que Mauro Lima irá dirigir, baseado no best-seller “Vale tudo: o som e a fúria de Tim Maia”, de Nelson Motta.

Já em Hollywood ela não tem nada planejado, por ora. “Os testes chegam e eu faço”, comenta, negando que apenas papéis de personagens latinas caiam em suas mãos. “Cada vez mais Hollywood está aberta, não só para os latinos. Eu tenho sotaque, posso aprimorá-lo, mas ele existe, nunca vou poder interpretar uma americana. O momento é de juntar pessoas diferentes e criar algo mais mundial.”
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