O carnaval na visão de budistas, presbiterianos, judeus e Metodistas


O Religião e Fé enviou perguntas sobre o período de carnaval, que se inicia nesta sexta-feira, para representantes de diferentes credos. Confira a visão de budistas e presbiterianos sobre a festa.

Budismo:

1) Na sua religião, o carnaval é um período de recolhimento? Por quê?

Tudo depende. Algumas pessoas vão aproveitar o feriado e se recolher. Meditar. Estudar. Mas não especificamente por ser carnaval. E sim, por que todo momento é uma oportunidade de através dessas práticas de estudo e meditação mantermos e melhorarmos no processo de lucidez.

Mas outras pessoas não vão se recolher. Podem estar praticando lucidez no mundo. Em meio as várias e diversas circunstâncias.

2) Que atividades ela oferece aos seus seguidores neste período? Ainda é possível inscrever-se para participar? Como e onde?

Este ano não teremos nenhuma atividade nesta época.

3) Sua religião proíbe que seus adeptos brinquem carnaval? Por quê?

Essa é uma pergunta muito abrangente. Pois poderíamos dizer que existem muitos budismos. Ou seja: o budismo quando entra em uma cultura ele aproveita muito da cultura para promover lucidez. Ele não acaba com a cultura e promove outra coisa totalmente diferente, onde as regras venham ditadas ou regidas por uma cúpula única mundial.

Então até pode ter em algum lugar alguma linhagem budista que proíba, não sei. Mas na forma e linhagens que estamos estudando e seguindo não existe uma proibição.

O que o budismo oferece e o que os budistas aspiram é uma vida com mais amor, compaixão, paz, alegria, tranqüilidade, atenção, concentração, generosidade, paciência e, principalmente, lucidez.

Agora tudo depende do que cada praticante está conseguindo entender e praticar dentro desse processo todo de transformação. Então a recomendação é para que cada praticante cuide o que esta fazendo e o que vai fazer. Lembre do que ele vem aspirando e lembre que suas ações terão suas consequencias e avalie se suas ações e conseqüências estão de acordo com suas aspirações. Caso contrario, as conseqüências podem lhe tirarão o que vinha buscando (paz, tranqüilidade,a mor, compaixão, e etc....

A pessoa pode brincar no carnaval, dançar, se divertir de forma muito tranqüila, muito ética, de forma bastante lúcida; sem problema.

Agora se no meio da brincadeira, brotar muitos impulsos onde as ações acabam dando conseqüências indesejadas; e que vão atrapalhar a paz e tranqüilidade da pessoa; que vão atrapalhar suas relações.... então....ela vai ter que lidar com o resultado de suas ações equivocadas.

Independente de serem budistas ou não. Nosso presente é fruto das aspirações, ações e conseqüências do passado. E nosso futuro é de certa forma, resultado das nossas aspirações, ações e conseqüência do presente.

Logo, dependendo do que acontecer vamos nos aproximar de paz, tranqüilidade e etc..., ou podemos nos distanciar.

4) E no caso dos seguidores que têm que trabalhar durante o carnaval (diretamente ou indiretamente com a festa), há algum tipo de orientação com relação à conduta ou sobre cuidados?

A principio a recomendação é sempre a mesma para qualquer circunstância: Tentar manter a lucidez. Seguir olhando o mundo com compaixão, alegria, equanimidade, paz, tranqüilidade, generosidade e etc... cultivando assim nossas boas ações. E cuidando de emoções (como raiva, inveja, orgulho, carência, desejo e apego, e etc..) que sabidamente resultam em ações não auspiciosas e que nos afastam de nosso grande propósito: lucidez, paz, tranqüilidade e compaixão.

Igreja presbiteriana:

1) Na sua religião, o carnaval é um período de recolhimento? Por quê?

O carnaval não é um período de recolhimento propriamente, mas acabou por se tornar diante de aspectos sociais: transito, segurança, mobilidade, feriado/lazer. Nesse período significativa parte do cristãos presbiterianos promovemos retiro espiritual, o que consagra : fé, lazer, comunhão, segurança, etc.

2) Que atividades ela oferece aos seus seguidores neste período? Ainda é possível inscrever-se para participar? Como e onde?

Um retiro espiritual de carnaval comumente é realizado em hotéis, sítios, chácaras, locais próprios para conjugarem atividades espirituais, tais como: culto, louvores,estudo bíblico, meditação, bem como muito lazer e descanso, já que esses locais têm: campo de futebol, quadra vôlei, piscina, e muito verde e área livre.

Será um grande prazer acolher o leitor do Extra, é só ligar para : 8563-2452, 8563-2451 e 3342-3330, e lha garanto que além de ser surpreendido você não se arrependerá de viver dias de absoluta integração entre corpo, psique e espírito.

3) Sua religião proíbe que seus adeptos brinquem carnaval? Por quê?

Os cristãos presbiterianos acreditamos que toda espécie de celebração à vida é muito bem vinda. Por essa razão gostamos de adorar a Deus em todas as suas expressões e formas: cultos com muito louvor e também mensagem; mas também curtimos teatro, cinema, praia, piscina, caminhadas, esporte, um bom bate papo, um bom vinho ao lado da mulher amada, musica popular, clássica, samba, etc. mas sem querer ser moralista ou piegas, quem em sã consciência sairia ao lado de sua amada esposa e seus filhos para dar um passeio a tarde ou noite em uma rua do Rio de Janeiro, em pleno carnaval, sem temer por sua integridade física e moral nesses concorridíssimos dias cheios de álcool, excitação e outras coisitas mais? Como nos lembra a letra de Chico Buarque:

Eu tenho tanta alegria, adiada,

Abafada, quem dera gritar...

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

4) E no caso dos seguidores que têm que trabalhar durante o carnaval (diretamente ou indiretamente com a festa), há algum tipo de orientação com relação à conduta ou sobre cuidados?

O trabalho é uma bênção dada por Deus, logo, se sua atividade é fruto de esforço e voltado para o bem comum, oriento a todos a trabalharem e fazerem o seu melhor, mesmo que seja nesses dias de carnaval. Pois, não nos esqueçamos que o fato de pessoas estarem no carnaval não quer dizer que não sejam honestas, decentes, cidadãs. Elas priorizam coisas e atividades que nós cristãos presbiterianos não priorizamos, é apenas isso.

Que todos lembremos que o Brasil, o Rio de janeiro e quaisquer outras cidades não são santuários, locais de culto, mas, sim, oportunidades de convívio de todos os brasileiros que devemos fazer nossas escolhas ao sabor de nossos desejos e crenças, mas acima de tudo velar e zelar rigorosamente pelo inalienável direito de escolha e essa em total liberdade.

Judaísmo:

1) Na sua religião, o carnaval é um período de recolhimento? Por quê?

Para o Judaísmo, o Carnaval concebido na Idade Média pela Igreja, não tem significado outro que uma manifestação cultural popular, a que os judeus aderem ou não conforme seu gosto pessoal. No entanto os judeus, 400 anos antes da Era Comum, já tinham o costume de se fantasiar e de dançar, por ocasião da Festa de Purim que, este ano, cai no dia 20 de março. A celebração de regozijo marca a salvação do Povo Judeu da primeira tentativa de extermínio, decretada (e posteriormente abolida) pelo Rei Assuero da Pérsia.

2) Que atividades ela oferece aos seus seguidores neste período?

Como se trata de feriado prolongado cujo início, invariavelmente, coincide com o Shabat, data mais sagrada para o judeu observante, muitas instituições oferecem seminários, encontros para estudo, vivência entre seus congregantes. Tanto nas cidades serranas e como nas do nosso litoral, frequentadas pela comunidade judaica, comunidades locais oferecem atividades. Ainda é possível inscrever-se para participar? No caso de atividades que demandam

reservas de hotéis e previsão de alimentação kasher (isto é, que segue os preceitos religiosos de abate e higiene), as inscrições já foram encerradas. Mas a programação das sinagogas está disponível para aqueles que desejarem compartilhar da vida comunitária.

3) Sua religião proíbe que seus adeptos brinquem carnaval? Por quê?

Não. Porque os judeus, desde a segunda destruição do Templo de Jerusalém, no ano 70 da Era comum, aprenderam a viver nos diferentes países de acolhida. Inseridos na sociedade, contribuindo para o seu desenvolvimento, adotaram costumes locais e incorporaram as principais festividades. O Carnaval, principalmente o brasileiro, é uma festa de imensa beleza e alegria contagiante. Participa dele quem quiser e da forma que julgar conveniente.

4) E no caso dos seguidores que têm que trabalhar durante o carnaval (diretamente ou indiretamente com a festa), há algum tipo de orientação com relação à conduta ou sobre cuidados?

Não existe documento específico para a ocasião. O que a comunidade judaica espera de cada um e uma de seus membros é que mantenha o comportamento que norteia a sua vida no seu dia a dia, tanto no cumprimento de compromissos profissionais, como nos momentos de lazer.

Igreja Metodista:

1) Na sua religião, o carnaval é um período de recolhimento? Por quê?

Não. Não existe essa obrigatoriedade de recolhimento, mas considero esse período uma oportunidade para a reflexão. Levo em consideração que para muitas pessoas seus anseios e buscas não serão atendidas, correspondidas e respondidas durante as festividades de Carnaval. Mas, essa é a beleza da vida, enquanto muitos querem pular, dançar e se divertir; outros buscam a reflexão, tempo para orações e descanso.

Poderia chamá-lo de um período adequado para o recolhimento, deixar de lado o ativismo que por vezes nos contamina, essa correria pela busca de um lugar melhor para o desprendimento, deixando espaço para a reflexão, buscando assim encher a vida da presença de Deus que a tudo dá significado e sentido. Esse tempo ajuda a organizar o pensamento, concentrar e aproveitar a oportunidade de parar alguns dias para direcionar a vida, e partir daí dar continuidade a nossa rotina.

2) Que atividades ela oferece aos seus seguidores neste período? Ainda é possível inscrever-se para participar? Como e onde?

Nesse ano a Catedral Metodista do Rio de Janeiro, não estará realizando nenhuma atividade extra, como é chamada por todos nós de “Retiro de Carnaval”.

Entendo que a Igreja, como parte da sociedade, não necessita fechar suas portas durante os festejos de carnaval. Sei que muitos blocos estarão passando, e alguns vão até parar em frente à nossa Igreja. Estaremos realizando todas as celebrações como fazemos durante todo o ano. Respeitaremos os foliões com suas fantasias e tenho certeza que eles nos respeitarão. O mais bonito da sociedade é não perdermos essa dimensão do diálogo e do respeito. Essa é a singularidade e a essência da mensagem de Jesus, vivemos a partir dela.

3) Sua religião proíbe que seus adeptos brinquem carnaval? Por quê?

Não, não existe proibição. A mensagem bíblica da parte do Apóstolo Paulo é que “se o teu coração não te condena tens confiança da parte de Deus”. Isso é o que deve nos mover. “Foi para liberdade que Cristo nos libertou”. Mas, essa liberdade passa pela dimensão comunitária. Uma vez que vivemos em comunidade, o conselho de Jesus foi que não causássemos escândalos na mesma. Então, existe a responsabilidade dos nossos atos referentes à nossa vida particular e com a Sociedade. A mensagem de Jesus vem acima de tudo dar ao homem essa capacidade de poder tomar decisões responsáveis. Sabemos que durante as festividades do carnaval, muitas decisões são irresponsáveis, desde a simples utilização de lugares públicos históricos para suas necessidades fisiológicas até decisões mais sérias que podem refletir durante toda vida.

4) E no caso dos seguidores que têm que trabalhar durante o carnaval (diretamente ou indiretamente com a festa), há algum tipo de orientação com relação à conduta ou sobre cuidados?

Não existe nenhum tipo de orientação motivada somente pela chegada do carnaval. A orientação acontece todos os dias e em todas as celebrações. Orientação para uma vida que aponte para a justiça, para o amor, para decisões responsáveis, para estabelecimento de critérios sérios que acenem para o mundo mais justo, que é o que Jesus pregou. Nosso lugar e a nossa postura diante da sociedade precisam refletir isso. O desprendimento de questões legalistas e moralistas para um comportamento ético e justo. Despir-se das máscaras e das fantasias que escondem nosso egoísmo e injustiça. Conheço muitas pessoas que trabalham no carnaval: bombeiros, policiais, guardas e empresários de diversos setores. Minha convicção é que todos sabem o que devem fazer como diz Tiago: “aquele que sabe o que deve fazer e não faz, nisto já está pecando”. Na mensag em de Jesus o homem tem essa liberdade de escolher e todos são responsáveis pelos seus atos. Para Jesus nossas escolhas e decisões devem ser responsáveis, fruto do nosso compromisso com Deus e com o próximo. Essa deve ser a orientação durante o Carnaval: responsabilidade e compromisso com Deus. Não o que é certo ou errado, pois é isso que as pessoas gostam. No jargão popular: “o que pode e o que não pode”! Muitos querem a resposta do que é certo ou errado, como uma espécie de transferência de suas responsabilidades. Não posso ser como um mestre-autoritário que põe dentro de um caminho e digo: vai por aqui. Estou aqui como alguém que quer ajudar a essa pessoa encontrar o seu lugar, seu caminho e tomar a suas decisões responsáveis.

* As respostas foram enviadas por Nelson Morroni do Centro de estudos Budistas Bodisatva e pelo reverendo Marcos Amaral, da Igreja Presbiteriana de Jacarepaguá.

*As respostas foram enviadas por Diane Kuperman, coordenadora do diálogo inter-religioso da Federação Israelita do Rio (Fierj) e pelo reverendo Sérgio Ovidio Wermelinger Goulart, pastor da Catedral Metodista do Rio.

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O carnaval na visão de budistas, presbiterianos, judeus e Metodistas O carnaval na visão de budistas, presbiterianos, judeus e Metodistas Reviewed by Samuel Rodrigues on 12:18 Rating: 5
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