Papa diz que cristãos se transformaram em povo distante de Deus


Bento XVI abre as celebrações da Quinta-Feira Santa com a Missa Crismal, no Vaticano. O dinheiro arrecadado na Missa da Última Ceia, também nesta quinta (21), será doado às vítimas do terremoto e do tsunami no Japão

O papa Bento XVI abriu nesta quinta-feira (21) as celebrações da Páscoa, o Tríduo Pascal, com a Missa Crismal dizendo que os cristãos se transformaram em um povo "de incredulidade e distante de Deus". Segundo o pontífice, o Ocidente cristão não quer conhecer Cristo.

A Missa Crismal marca o começo do Tríduo Pascal, centro e fim do Ano Litúrgico, além da celebração da Quinta-feira Santa, dia de lembrar a instituição do sacramento da ordem sacerdotal por Jesus Cristo durante a Última Ceia.

Diante de 10 mil pessoas que abarrotaram a basílica de São Pedro do Vaticano, Bento XVI, de 84 anos, declarou que os cristãos não só devem chamar-se cristãos, "mas sê-lo". O bispo de Roma afirmou que quando os cristãos falam de suas tarefas comuns, como batizados, "não há razão para orgulhar-se" e que esse é um assunto que "inquieta". "Será que somos verdadeiramente o santuário de Deus no mundo e para o mundo? Abrimos aos homens o acesso a Deus ou, pelo contrário, o escondemos? Nós - o povo de Deus - por acaso não nos transformamos em um povo de incredulidade e distante de Deus?", questionou o papa.

Bento XVI acrescentou: "Não é verdade que o Ocidente, que os países centrais do cristianismo estão cansados de sua fé e, aborrecidos de sua própria história e cultura, já não querem conhecer a fé em Jesus Cristo?". O papa afirmou que olhando para trás existem motivos para implorar a Deus que não permita que seu povo se dissipe. "Faz com que te reconheçamos novamente. Sim, nos ungiste com teu amor, infundiste teu Espírito Santo sobre nós. Faz com que a força de teu Espírito se faça novamente eficaz em nós, para que demos testemunho de tua mensagem com alegria", afirmou o pontífice.

Bento XVI disse que o homem está inquieto por entender que tudo que é temporário é pouco e questionou se o homem não se resignou, talvez, à ausência de Deus e tenta ser autossuficiente. "Não permitamos semelhante reducionismo de nosso ser humano", afirmou o papa. O pontífice disse, entretanto, que, apesar de "toda a vergonha por nossos erros", não devemos esquecer que também persistem nos dias de hoje exemplos luminosos de fé, pessoas que mediante sua fé e seu amor dão esperança ao mundo. Entre estes, citou seu antecessor, João Paulo II, quem beatificará em 1º de maio e sobre o qual lembrou como uma grande testemunha de Deus e de Jesus Cristo nos tempos atuais, um homem cheio do Espírito Santo.

Durante a missa, os sacerdotes renovaram suas promessas sacerdotais - pobreza, castidade e obediência - e Bento XVI abençoou o óleo dos catecúmenos, o dos doentes e da crisma (óleos e bálsamos misturados), que foram apresentados em três grandes jarras de prata. Os óleos são benzidos na Quinta-feira Santa pelos bispos e utilizados para ungir os fiéis nos batizados, nas confirmações e nas ordenações sacerdotais. O rito é celebrado em todas as catedrais do mundo.

Sobre o óleo dos catecúmenos disse que este mostra a primeira maneira de ser tocado por Jesus, que Deus ama aos homens e sai ao encontro da inquietação de seus corações.

Em referência aos doentes falou que na sociedade há milhares de pessoas que sofrem, entre estas citou os famintos e os necessitados, as vítimas da violência em todos os continentes, os doentes com todas as suas dores, suas esperanças e desalentos, os perseguidos e os oprimidos, as pessoas com o coração amargurado. O papa afirmou que a missão da igreja é ir pelos caminhos curando os doentes e anunciando o Reino de Deus. O óleo da unção dos doentes é a expressão sacramental visível dessa missão. Bento XVI se referiu aos homens e mulheres que levam esse amor curativo às pessoas de todo o mundo, "sem olhar sua condição ou confissão religiosa", destacando Vicente de Paulo e a madre Teresa de Calcutá e agradeceu a Deus por todos aqueles que se põem ao lado dos que sofrem.

Sobre o óleo crismal disse que é o da unção sacerdotal e serve, principalmente, para fazer a confirmação e as sagradas ordens e ressaltou que os cristãos devem tornar visível o mundo que Deus vive.

Nesta quinta-feira (21), Bento XVI também celebra a missa da Última Ceia, na Basílica de São João de Latrão, a catedral de Roma, na qual tradicionalmente lava os pés de 12 presbíteros. O papa decidiu que o dinheiro recolhido durante a missa será destinado aos desabrigados do terremoto e do tsunami que atingiu recentemente o Japão, deixando milhares de mortos.

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