Bento 16 diz que renunciou para o bem da Igreja

Na sua primeira aparição pública desde o anúncio que vai deixar o posto de líder da Igreja, o papa Bento 16 disse que renunciou pelo "bem da Igreja". 

"Queridos irmãos e irmãs, como sabem, decidi renunciar ao ministério que o Senhor me confiou em 19 de abril de 2005. Tomei a decisão com plena liberdade para o bem da Igreja, depois de ter rezado muito e examinado minha consciência perante Deus", disse o papa, diante de uma plateia de 10 mil pessoas reunidas no salão de audiências do Vaticano, na manhã desta quarta. 



"Estou ciente da importância do ato, mas também de não ser capaz de desempenhar o ministério de Pedro com a energia que ele requer", declarou o papa, que tem 85 anos, ressaltando a razão já alegada aos cardeais de que não se sentia com forças para permanecer à frente da Igreja. 

Falando em italiano, Bento 16 foi ovacionado ao agradecer "pelo amor e pela oração" dos fiéis.
Muitas pessoas se levantaram para aplaudir e bandeiras de vários países --entre elas, algumas brasileiras-- se ergueram e sacudiram no ar no instante do agradecimento. 

Diante de uma escultura de bronze que representa a Ressurreição de Cristo, o papa usou a tradicional audiência que concede as quartas-feiras para falar da importância da Quaresma --período de quarenta dias que antecede a Páscoa durante o qual os cristãos realizam penitência para recordar o período em que Jesus esteve no deserto. 

Ele fez uma interpretação do trecho do Evangelho de Lucas em que Jesus é tentado pelo diabo a transformar uma pedra em pão, após um jejum de 40 dias. Segundo a Bíblia, Jesus responde que "nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra de Deus". 

Na sua homilia, o papa disse que a proposta do diabo foi uma tentativa de "instrumentalização de Deus", mas que Jesus resistiu à tentação. O papa e instou os cristãos a não seguirem "outras estradas mais fáceis e mundanas". 

"Jesus se sujeitou às nossas tentações a fim de vencer o Maligno e seguiu apenas o caminho para Deus. Por isso, a luta contra as tentações. O que nós é pedido na Quaresma é colocar Deus em primeiro lugar, como fez Jesus", pregou o papa. 

A audiência durou pouco mais de uma hora. Durante a maior parte do tempo, o papa permaneceu sentado e demonstrou emoção após ouvir músicas entoadas por corais de jovens durante a celebração. 

Ao final da pregação, que foi feita em italiano originalmente e teve uma versão lida pelo papa em cinco idiomas, Bento 16 rezou o Pai-Nosso em latim e distribuiu a bênção apostólica.

Quando a cerimônia terminou, cardeais fizeram fila para beijar o anel do pescador, que simboliza o poder do pontificado, e alguns convidados cumprimentaram pessoalmente o papa. 

GRACILIANO ROCHA
ENVIADO ESPECIAL AO VATICANO
Folha Online - GC News - Gospel Channel
gospelchannel@globomail.com 
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