Marina critica ‘políticos evangélicos’

Em “agenda secreta” com 200 lideranças evangélicas, a presidenciável Marina Silva (PSB), ela própria missionária da Assembleia de Deus, apontou diferenças entre “evangélico político” e “político evangélico”. 



 O segundo grupo “instrumentaliza a fé” ao transformar “púlpitos em palanques” e vice-versa. Aí que mora o perigo, segundo a candidata: “Vocês sabem que jamais fiz isso”. Com voz elevada, afirmou que não pode adotar um discurso “de conveniência” entre “irmãos e irmãs” –defende “entre quatro paredes” a mesma coisa que grita “do telhado”. 

 A defesa do Estado laico prevaleceu em seu discurso. “Conheço pessoas que não professam nenhuma fé e que são mais éticas do que outras que arrotam a fé todo dia.” Ela refutou a “visão equivocada” de que, por ser evangélica, tentaria impor sua religião aos demais. Citou como exemplo seu habitat político: não tentou “transformar” nem o judeu Walter Feldman nem a católica praticante Luiza Erundina, ambos coordenadores de campanha seus. 

 Lembrou também que Eduardo Campos, que liderava a chapa presidencial do PSB antes de morrer numa queda de avião, “era um homem de fé”, outro “católico praticante”. Marina fez um breve apanhado de sua carreira e pediu que a morte de Eduardo Campos seja “um sofrimento que concorra para um bem”. Ela repetiu fala recorrente de que “governará com os melhores”. Fez uma crítica velada a alianças de PT e PSDB no passado: “Acho que será mais fácil dialogar com FHC e Lula do que com Sarney e Antonio Carlos Magalhães”. Foi uma das poucas alfinetadas na manhã desta sexta-feira (26). Sob intenso ataque da petista Dilma Rousseff (PT) e do tucano Aécio Neves, Marina diz a estratégia será “oferecer a outra face” e “não tentar “destruir” nenhum dos dois. “O Deus que me ama ama também a Dilma, ama também o Aécio.” 

 ‘SÓ DE GLÓRIA’ 

 Fora da agenda que a candidata divulga diariamente para a imprensa, o evento começou às 10h30, no clube Homs, na avenida Paulista. Para introduzir, o Hino Nacional e, em seguida, um hino gospel. Nesse momento, a pastora Valnice Milhomens, sentada ao lado da “amiga ferrenha” Marina, levantou-se da primeira fila, virou-se para a plateia, agitou os braços como um maestro e pediu que o público cantasse o refrão “agora só de glória”.

 Com blusão branco afivelado por cinto marrom, saia longa e estampada e coque preso por uma fivela, Marina foi chamada para dividir mesa com os pastores Valnice, Ed René Kivitz (Igreja Batista da Água Branca) e Lélis Marinho, do conselho político da Assembleia de Deus. Aí as fronteiras entre religião e política viraram gelatina. 

 Lélis ressaltou que ela seria “presidente de todos os brasileiros” sob o “princípio primordial do temor ao Senhor”. Em seguida, disse que “princípios éticos e morais estão sob ameaça”, sem especificar quais. Considerado progressista, Ed René afirmou que “o imaginário da nossa sociedade” confunde “evangélico com xingamento”. É preciso combater a ideia de que ser evangélico é ser “ignorante, moralista, intransigente, homofóbico, intolerante”, continuou. Pediu ainda “respeito às consciências individuais” e “compromisso com a defesa dos direitos humanos e das minorias”. 

 O problema é a “caricatura nefasta” dos evangélicos, incentivada por “ufanismo e messianismo” no meio gospel, disse à Folha o pastor, que guarda certa semelhança física com o candidato a governador Alexandre Padilha (PT). Segundo Ed René, Marina “fica louca” com esse tipo de postura. “Igreja não pode ser parte do governo, assim como Corinthians não pode ser parte do governo Lula”, disse. 

 NÃO NOS REPRESENTA 

 Há alhos e bugalhos entre evangélicos, disse um pastor convidado, na mesa do cafezinho. Ecoava uma ideia recorrente entre a plateia: líderes como Silas Malafaia e Marco Feliciano têm projeção na mídia, mas estão longe de ser unanimidade no segmento. Malafaia, por exemplo, “não teve qualquer influência” na decisão de Marina em retirar trechos pró-direitos LGBT de seu programa de governo, segundo Valnice. A líder da Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo trata o episódio como um “engano”, e não um “recuo” da candidata, já que Marina nunca teria defendido o casamento homoafetivo. “Tem uma constituição que é a Bíblia sagrado.

 E ela diz que Deus criou macho e fêmea”, disse, acrescentando que a presidenciável pensa como ela. A pastora diz fazer um jejum de 40 dias antes das eleições (“me alimento praticamente da cruz”), uma “feliz coincidência” com o número de Marina nas urnas, também 40.

Anna Virgínia - Gospel Channel com Folha
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