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Polícia denuncia Flordelis pelo assassinato do marido

ago. 24, 2020 0 comments
Segundo a força-tarefa da Operação Lucas 12, a viúva, a deputada federal Flordelis (PSD-RJ), é a mandante do crime. Ela não pôde ser presa por causa da imunidade parlamentar -- quando somente flagrantes de crimes inafiançáveis são passíveis de prisão. As prisões foram expedidas pela 3ª Vara Criminal de Niterói, que aceitou a denúncia do MP e tornou Flordelis ré. Com a Lucas 12, chega a sete o número de filhos presos no caso. Todos já são réus perante a Justiça. Nesta segunda, foram presos cinco filhos do casal (Adriano, André, Carlos, Marzy e Simone) e uma neta (Rayane). 



A Justiça ainda emitiu mandados de prisão contra dois homens que já estavam na cadeia: o filho apontado como autor dos disparos (Flavio) e um ex-PM (Marcos). Um sétimo filho (Lucas), que já tinha sido preso por conseguir a arma, foi denunciado na Lucas 12. Segundo a polícia, antes do assassinato a tiros, Flordelis tentou matar o marido pelo menos quatro vezes -- uma delas com veneno na comida. 

O PSD divulgou nota em que anunciou "a suspensão imediata da filiação" da deputada. 

  Resumo 

O inquérito concluiu que Anderson foi morto por questões financeiras e poder na família

 -- o pastor controlava todo o dinheiro do Ministério Flordelis, hoje rebatizado de Comunidade Evangélica Cidade do Fogo. De acordo com as investigações, Flordelis já planejava desde 2018 o assassinato de Anderson. Flordelis é uma das 11 pessoas denunciadas pelo MPRJ.

Após o crime, Flordelis relatou em depoimento e à imprensa que o pastor teria sido morto em um assalto. A deputada vai responder por cinco crimes: homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima), associação criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso. 

Pelo envenenamento, ela responderá por tentativa de homicídio. 

Os policiais saíram para cumprir 17 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói e São Gonçalo. Um dos endereços foi a casa da deputada, local do crime, no bairro de Pendotiba, em Niterói, na Região Metropolitana do RJ, onde quatro filhos foram presos. 

 O apartamento funcional da deputada, em Brasília, também foi alvo de buscas. Lá, foi presa a neta Rayane. Pouco antes das 7h, policiais civis do Distrito Federal deixaram o imóvel carregando malotes.


Presos na Operação Lucas 12

A polícia assim dividiu a participação na morte de Anderson.

Presos na casa de Pendotiba (Niterói), local do crime:

Marzy Teixeira da Silva (filha adotiva): cooptou Lucas para matar o Pastor Anderson. Também participou dos envenenamentos;

Simone dos Santos Rodrigues (filha biológica): responsável pelos envenenamentos. Simone buscou informações sobre uso de veneno na internet;

André Luiz de Oliveira (filho adotivo): ex-marido de Simone, foi flagrado em conversas com Flordelis combinando o envenenamento;

Carlos Ubiraci Francisco Silva (filho adotivo): pastor, é citado por participação no planejamento da morte;

Preso em Camboinhas (Niterói):

Adriano dos Santos (filho biológico): auxiliou no episódio da carta falsa;

Presa em Guaratiba (Zona Oeste do Rio):
Andreia Santos Maia (mulher do ex-policial Marcos): auxiliou no episódio da carta falsa.

Presa em Brasília:
Rayane dos Santos Oliveira (neta): buscou por assassinos para as tentativas anteriores, como Lucas. 
Estava no apartamento funcional da mãe.

Já estavam presos:
Flavio dos Santos Rodrigues (filho biológico): apontado como autor dos disparos, já estava preso e teve um mandado de prisão expedido nesta segunda;

Marcos Siqueira (ex-policial): auxiliou no episódio da carta falsa e já estava preso com mais um mandado de prisão expedido nesta segunda;

Além desses nove, foram denunciados:

Flordelis dos Santos de Souza: é a mentora do crime. Responderá por homicídio triplamente qualificado; tentativa de homicídio duplamente qualificado; associação criminosa majorada; uso de documento ideologicamente falso e falsidade ideológica;
Lucas Cezar dos Santos (filho adotivo): já estava preso, mas não teve mandado de prisão nesta operação.

O nome da operação

"Lucas 12" se refere a uma passagem bíblica. No livro, o apóstolo lembra uma fala de Jesus a uma multidão.

“Tenham cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido”, disse Jesus.

“O que vocês disseram nas trevas será ouvido à luz do dia, e o que vocês sussurraram aos ouvidos dentro de casa, será proclamado dos telhados”, emendou.

“Alguém da multidão lhe disse: ‘Mestre, dize a meu irmão que divida a herança comigo’. Respondeu Jesus: ‘Homem, quem me designou juiz ou árbitro entre vocês?’”

“Então lhes disse: ‘Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens.’”

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